Capitulo IV
Fragmento [Part I]
Fragmento [Part I]
Estou sentada na cama, abro minhas pernas e então ele penetra, movesse num vai e vem, e eu apenas contraio a vagina no movimento. Sei que sou bonita, sei que ele me deseja, então sei que seu pênis se manterá ereto e seus olhos estarão fixos. Ele continua extramente excitado e ofegante, segura minhas pernas e continua me penetrando.
Tem um pênis médio e não é tão mal, pelo menos sinto algum prazer! Ele para e eu o olho com um olhar de quem quer mais, aquele olhar maroto que todo homem espera que uma mulher faça numa hora dessas, é uma lição aprendida por mulheres que têm a minha profissão.
Pede-me que mude de posição, diz: “De costas, empine ela pra mim! Vamos!” Não é afinal incomum, mas me excita como disse, afinal se ele não é como a maioria dos babacas. Viro-me pra ele e fico de quatro como ele me pediu, me penetra outra vez, agora com mais vontade, sente prazer em me ver naquela posição, se excita vendo seu pênis entrar em mim e ver minha vagina tomá-lo como num abraço, uma coisa já tão mecânica.
Para novamente, desta vez imagino o que ele vá fazer como era de se esperar do “pacote completo” que ele pagou (pago adiantado, como disse, este cliente não é de todo ruim), uma das mãos que estavam sobre minhas ancas levita de lá, posso vê-lo pegar seu “brinquedo” com tanta concentração quanto se estivesse fazendo algo extremamente complicado.
Eu o observo daquela posição mesmo e vejo me mirando entre as nádegas. Penetra a cabeça primeiro e mesmo sendo costume, ainda me sinto invadida momentaneamente, coisa de instantes. Ele continua com o ato, independente do que eu esteja pensando ou não, muito dificilmente estaria preocupado com isso agora imagino! Lhe castraria o prazer suponho! Prefere provavelmente imaginar que ser enrabada é de muito comum a uma puta pra que seja preocupante, talvez no fundo esteja certo.
No momento seguinte, me desprendo do sentimento anterior, como se ele quase não houvesse existido e cada centímetro continua seguindo em frente dentro de mim. Então ele para por alguns segundo, sentindo minha pulsação, sentindo como estar no mais íntimo dentro de mim. Movesse um pouco, sem tirar um centímetro dentro, apenas balança um pouco pra lá e pra cá, botando a mão sobre minha bunda e movendo-a na direção que quer, balançando-a. Volta a posição inicial e começa a tira-lo lentamente de dentro de mim até quase a cabeça, e depois começa a colocá-lo novamente, repetindo o processo novamente ao terminar de penetrá-lo.
A cada instante, mais rápido, eu consegui senti-lo duramente se jogar em minha direção, cada vez com mais força até passar agir como um cavalo selvagem: sem civilidade ou conhecimento sobre o que está fazendo. Se entrega aquilo e depois, com o tempo, a dor volta. Consigo senti-lo contra minha bunda a cada estocada, me empurrando para frente levemente, enquanto me esforço para manter-me no lugar enquanto ele cobra os “meus serviços” assim como cobro meus “honorários”. Somos isso, não há muito que pensar, tenho o que ele deseja, na verdade sou inteira o que ele deseja e em troca do que queremos nos vendemos e barganhamos, cada um a seu modo.
O momento não se prolonga por muito tempo, logo seu impulso e seu estado ofegante de aparente embreagues ludicamente sexual se misturam no clímax do seu corpo de estar ainda mais dentro de mim, por fim ejacula. Não posso senti-lo já que está de camisinha como normalmente insisto com meus clientes (independente de quanto eles insistam no contrário, menos com a porra do meu cafetão que insiste em me comer sem camisinha pelo menos algumas vezes de tempos em tempos, sem muita previsão), mas sei que está, algo em mim me diz, algo além do urro de prazer ou dos movimentos que cessam. Simplesmente sei, assim como sei também que com isso acabei com meu trabalho e terminamos com o nosso “contrato”.
O estranho se levanta, não é tão jovem, deve ter talvez trinta e cinco, trinta ou trinta e sete, não sei, simplesmente não sei, não cabe a mim perguntar. Tira a camisinha e joga no chão, pega suas calças e as coloca, veste novamente sua camisa, antes de abotoá-la, passa perfume, talvez para camuflar o meu próprio cheiro ou quem sabe esconde-lo de uma outra mulher que o espere todas as noites para dizer: “Boa noite meu amor! Chegando tarde! Dia difícil? Como foi o trabalho hoje? Cansativo?”.
Talvez seja simplesmente para lhe suavizar o cheiro de suor, mas a opção anterior é mais engraçada e bem mais próxima da realidade do que apenas um homem certinho que não quer cheirar a suor e sexo.
Ele pega a sua gra
Ainda estou sentada na cama e me lembro da conta de telefone que não consegui encontrar, obviamente tenho que tirar segunda via, acho que vou pagá-la atrasada, a pagaria naquele dia se não tivesse a perdido. Talvez no ônibus? Acho difícil! No trem? Naquele dia abri a bolsa e coloquei-a no bolso, junto com aquela foto.
Não me importo muito com a conta, mas a foto me faz falta, como um fragmento perdido de mim mesmo. O tempo passa e nós nos esquecemos! Esquecemos como é de praxe, dos tempos, das lembranças, da infância, mas ás vezes precisamos encontrar mesmo que pequenos, esses fragmentos. Estes fragmentos nos mostram por mais simples que sejam, que já fomos felizes em momentos perdidos na parcial amnésia do tempo.Há, muito, muito tempo, da forma mais simples, felizes.
“Silêncio? Onde se abrigou o silêncio?”
É o que eu penso, pois quando estou sozinho o único silêncio que encontro é o silêncio dentro de mim. O mundo não sabe mais ser silencioso e fora de mim essa infinidade de ruídos revezando-se mutuamente.
De quantos aviões se precisa? Quantos carros? Quantos cachorros? Quantas fabricas?
O silêncio está escondido por entre a terra talvez, abaixo dos nossos pés, talvez haja algum silêncio. Sento-me num banco e a mercê de meus pensamentos enquanto o trilho firme se agita, e os vagões nos sustentam como um titã em seus ombros. Os rugidos do mundo se tornam menores dando espaço a um movimento mais calma das ondas no ar, no entanto como uma digital, uma marca, eu ainda os ouço bramindo na minha cabeça como uma herança.
Todo o barulho envolvido em uma musica distante que me lembra James Brown e perturbada pelos abruptos ruídos das hélices de um helicóptero.
A luz do Sol, quase cegante, o dia brilhante em lembrança escondido na sombra.
O tilintar do vidro. O gelo se movendo em largo círculo, o suco gelado, o corpo quente, as crianças e o futebol. Então voltam as buzinas o eco dos motores acelerando, o zumbido das motos cortando o ar com velocidade, o terceiro ou quarto avião que sobrevoa nossas cabeças na última meia hora.
As nuvens estáticas e pincelada a bel prazer no céu, sem sentido ou preocupação. As folhas das arvores no seu balé de um só passo e o varal que se move junto com os lençóis:, as cuecas, as camisetas e meias. E eu na cadeira de praia sobre a laje da minha casa, banhando-me na juventude que outrora abandona os homens tão rápido quanto seu surgimento. Morgando e golfando em pensamentos infantis e tranqüilos perdidos a torto e a direito pela memória do tempo, como os surfistas no caminho das ondas, como os astrólogos no movimento dos astros, como os calçados em atrito ao asfalto, tudo um tanto quanto nostálgico.
De volta ao meu banco, acordado sei que o meu mundo continua girando.
E como selada num feitiço antigo uma linda e jovem mulher permanece vitreamente centrada em seu livro. Um desses romances de esquina ou um Best Seller (não importa) de capa vermelha.
Vestida com uma blusa de lã cor de vinho, cachecol preto, longo cabelo, mãos e livro pousados sobre seu ventre grande e macio.
Eu poderia me apaixonar por ela se já não o fiz (por esse instante), por ela e por seu fruto bonito crescendo em seu útero.
Pequeno símbolo da vida, poderia amá-lo e amá-la também. Amá-la enquanto o tempo que desenha linhas em seu rosto não lhe tomar a dádiva da juventude para presentear de lasciva intenção a outra e a seus encantos.
Se fosse mutuo esse amor, então essa vida que palpita dentro dela, seria meu presente a ela, presente de amor ou e dor, de sentimentos ou de suor.
Mas, aquela é a vida de outro homem, sangue sobre sangue, correndo entre as veias, entre vida a que a permeia que passará sobre o asfalto, sobre a areia, em forma de homem que caminha de vida finita e inevitavelmente crescerá e morrerá.
Passará...
Assim como as estações e o tempo e um atraso de dois minutos na parada Y.
To be continued...
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